segunda-feira, agosto 30, 2010

Dialética da visão híbrida

Aquela visão multifacetada
metamorfoseava as mil faces.
Quase visão total, mas sem foco.

Na sua possibilidade de alcance
faltava a sensibilidade, a edificação
da fantasia que é fruição das realidades.

Enquanto construção universal,
a sua organização se perdia.
Era claro o coroamento de aparências.

Era decorrência da visão fosforescente!







segunda-feira, abril 26, 2010

Voltei!

Espero que com a corda toda!!!

Deu saudade daqui, de poder escrever coisas sobre as quais eu gosto. Ultimamente tem feito sentido voltar a postar coisas, escrever sobre a vida.

Estou ouvindo agora uma música que me lembra de uma época em que esse blogue era completamente ativo e eu vivia escrevendo sobre certas coisas que se relacionavam à ela. Engraçado é que ela me soa tão distante atualmente - não porque ela não me agrada, mas porque ela existia num contexto muito específico que morreu há uns bons anos. Mais engraçado ainda é o fato de que ela falava de um término. E foi o que ela significou e significa agora, ainda. Não que o significado desse término, na sua essência, seja outro ou se relacione com outra coisa. É que eu mudei em muitos aspectos e a sensação que ela me traz é diferente do sentimento que eu tinha quando pensava sobre isso, exclusivamente.

É gostosa essa sensação. Porque ela foi lembrada por alguém que significa muito pra mim. E porque ela é justamente a fronteira entre algo que eu construí e aquela coisa que partiu depois de que essa música deixou de fazer sentido pra mim. Bonito que ela tenha aparecido, refoçando essa sensação tão real!

quarta-feira, novembro 05, 2008

Was sollen die Nachbarn sagen?

Ler blogues sempre traz aquela vontade de reativar o meu. Mas aí eu acabo percebendo que a correria e a preguiça de continuar interrompem os planos assim que o post termina de ser editado. Uma pena! Eu sempre tento me manter firma e forte nas decisões!
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Era uma vez um macaco chamado Gastão. Ele tentava fazer tudo certo. Mas aí apareceram alguns leões da selva frenética e destruíram algumas percepções boazinhas que o Gastão tinha da vida! Agora o Gastão não tá nem ligando pros vizinhos. Ele quer mesmo é que eles se danem! O macaco, coitado, não consegue agir assim cem por cento do tempo. Ele briga consigo mesmo por querer ser bonzinho. Mas ele tá vendo que os leões estão na frente dele e, por isso, ele precisa agir assim como eles. Mas ele não quer agir assim! Ele queria mesmo é que os leões fossem diferentes! Os leões mentem e enganam o macaco pra roubar comida.O tempo inteiro!

...enquanto isso o Gastão sofre um pouco. Mas no fundo ele tenta impor que os leões são seres malvados. Assim dá pra brincar um pouco de ser malvado! Só brincar!

Tradução do título: "O que os vizinhos vão dizer?"

terça-feira, junho 24, 2008

"O Sentimento dum Ocidental"

(...)E, enorme, nesta massa irregular

De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,

A Dor humana busca os amplos horizontes,

E tem marés de fel como um sinistro mar!



Cesário Verde.





...(Re)descobri Cesário Verde! Numa aula de Literatura Portuguesa. Como quem reluta ao fato de ter uma matéria obrigatória aparentemente não muito agradável. É que nunca foi muito: sempre pareceu uma coisa pedante, um tanto intragável. Mas aí surge um programa mais legal, mais interessante. E Cesário Verde é tão cinema. Leiam!

A plasticidade de Cesário é incrível. Acho que foi, dentro da Literatura Portuguesa, a aula mais legal que já tive. Nem há como falar de Petrarca e de outros poetas. Ele descreve as cenas e elas se projetam instantaneamente. É, como disse a Mariana Gouveia, uma escrita sem igual: uma câmera flagrando fragmentos de realidade.

Talvez eu seja mais uma alma moderna (afinal o que ele escreveu está diretamente relacionado com as transformações sociais e econômicas que aconteceram em portugal: as transformações que o capitalismo gerou, a modernização nem tão moderna) que sofre as consequências da massificação, da solidão, da individualidade, dos males e dos benefícios da internet, das dificuldades econômicas e sociais. Ou não! Talvez eu seja só um ser perambulando entre as questões mundanas e profanas, buscando explicação pra isso tudo. E, se Cesário Verde não me responde assim tão claramente, pelo menos me apresenta de forma bonita aquela definição das coisas que parecem difíceis.

Acho que todo mundo pensa diariamente nessas questões. E se vc entra em crise com medo da vida, talvez a gente tenha algo em comum. Se esse medo te impede de aprender e de viver, talvez seja um problema. Aí é bom vc ir atrás de ajuda. Mas se, como acontece comigo, ele apenas suscita sensações interessantes e edificantes, aí é a parte boa de ser um questionador incessante.




Leiam Contrariedades, que é absurdamente lindo: http://www.astormentas.com/din/poema.asp?key=1930&titulo=Contrariedades



A Plasticidade na Poesia de Cesário Verde, de Maiara Gouveia: http://www.revista.agulha.nom.br/ag52verde.htm

sexta-feira, março 28, 2008

Só...

uma sinfonia... andando pra lá e pra cá na minha cabeça. E o mundo parece um imperfeito-perfeito!

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Amor: influenciado por Rogério Sganzerla*

Ouvi aquela sinfonia brilhante.
Conheci aquele sentimento dos loucos.

Aprendi a fazer das nossas cenas
pla-nos se-qüên-cias bem lon-gos:
compassos de luz e sombra.

E numa dessas percepções da freqüência
entendi aquilo que sempre diziam
sobre o anti-fazer das coisas.

Tão além quando se vê
as luzinhas brilhantes.
Ora calmantes,
ora extravagantes.

Dá pra entender agora
porque sentimos essas vibrações:
porque o sentimento
dos loucos.


*pra quem não conhece, o Sganzerla, Rogério Sganzerla, é um cineasta brasileiro. Eu li um livro repleto de entrevistas interessantes dadas por ele. Pra quem não tinha informações sobre cinema brasileiro, ao menos agora eu tenho uma pontinha de iniciação no assunto. Posso discutir um pouquinho, dizer que não sou tão por fora assim. Acho que, na verdade, só quem conhece um pouco do Sganzerla pode entender mais claramente esse poema. ou quem leu o livro! =)

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Sentimentos inexoráveis!!!

Ela descobriu que cogitar reações diante das situações da vida é altamente enganador! É um sentimento estranho perceber que tudo o que foi defendido há anos, de repente, é encarado de forma contrária. Absurdamente contrária. Assim, como ela sempre disse que não seria. E agora é.

E ela, às vezes, se sente bem, outras vezes se sente muito mal. A culpa não é dela. Esses sentimentos truculentos que pegam as pessoas sem avisar.

Ele apareceu várias vezes negando tudo o que ele afirma com tanta seriedade, daquela forma extremamente confiável. Ele já esbanjou outras companhias. Ele já esbanjou a distância. Ele já disse que a culpa é dela. Mas não é culpa dela. É culpa de outra coisa, de outra coisa que não ela. E então?

Ela tenta colocar outras coisas na cabeça. Mas é muito mais forte: inexorável. Ela queria não dormir, porque é justamente este o maior problema. Não é um daqueles problemas em que dormir ameniza os fatos. Justamente o contrário! Dormir é a causa-mor dos sentimentos truculentos.

No entanto, ela sente sono. E por mais que ela tente manter os olhos bem abertos, eles se entregam quase que sofregamente. Ela tenta imaginar que está indo pra um caminho seguro, quando na verdade aquele fechar de olhos abre as portas do Inferno.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Die Weihnachts!!!

Sie hat gewartet! Sie hat ein bisschen gewartet. Plöztlich ist alles geworden! Natürlich!!!Das ist das Leben!

Abandonei o blogue por um tempo porque se antes ele era um refúgio para os meus mundos imaginários [ou mundos acentuados pela minha visão fosforescente], agora ele ganha vida nova, resnascido como Jesus Cristo. Não que ele venha a fim de salvar algo. Apenas volto à ativa porque escrever me faz bem. E deu saudade. Mas algo me fez parar por um tempo. Algo concreto, que foi a estagnação do pensamento bloguístico, a perda momentânea do que eu chamaria de "malemolência textual"; além da correria, é claro, que contribuiu para o meu distanciamento repentino!*

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E mais um ano se passa na cidade cidade-cinzenta-irremediável. Agora é tempo de prenúncios...um ano intenso que traz outro talvez mais intenso. Ah, se aqueles campus falasse...tantas histórias bonitas: conquistas, alegrias, amigos, estudos, entendimentos, confusões, decepções, esperanças. Primeiro a tensão do encontro com o novo, depois o novo ainda mais novo de uma ocupação. Ah, tantos laços feitos nesses tempos. Maior compreensão. E depois a volta do que já era pra ter sido e não foi: seis meses de correria que pareciam inesgotáveis. Mas tudo bem, valeu tudo tão a pena! É que a olhos nus as coisas parecem mais claras e límpidas, serenas em si mesmas. Principalmente agora.

E nem todos lerão essas miudezas românticas e melodramáticas que eu ponho aqui!A minha vontade era agradecer a todos que fizeram parte desse ano bonito com abraços, beijos e presentes. Eu ando um tanto nostálgica e brega. Acho que é o fim de ano. Eu sempre fico brega assim. Agora estou escutando Enya, que é brega-pra-dedéu, embora às vezes eu goste de ouví-la, como gosto de milhões de coisas bregas. Tem uma música dela , "May it be", que faz parte da trilha sonora do "Senhor dos Anéis" e que, de alguma forma, me faz ter essa sensação estranha que eu sinto quando escuto ou leio coisas que me fazem ter o sentimento de não pertencer a essa coisa toda que é o mundo dos homens. Talvez não ao mundo mas pelo menos à essa época. É, às vezes eu sinto isso! Culpa de alguns valores bobos e bregas que eu tenho. Mas eu gosto de todos eles e, por isso, não vou abandoná-los.
Creio que meu olho nú não está tão nú assim. Enfim, olhos nus que se segam de tanta nudez!!!

Só queria dizer que algumas pessoas passam na nossa vida e deixam um pouquinho de esperança ou de sentimentos bonitos. Lembro de um professor de Literatura e redação da oitava série que falava com tanto amor do seu trabalho que eu sentia uma cosquinha, bem lá no fundo. E fiquei pra sempre com vontade de sentir isso assim que nem ele quando eu crescesse. É por isso que eu estou aqui, buscando, sendo brega e etc. Porque eu quero sentir isso, assim, que nem vc que está lendo isso aqui, com uma esperancinha de que a vida pode ser cada dia mais bonita e alegre, só dependendo da gente! E foi esse professor que me apresentou o meu poema oficial de Natal:



Poema de Natal

Vinicius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.