terça-feira, setembro 25, 2007

"Enquetezinha do livro"

Recebi o convite da Babi e da Myriam, então escrevo aqui a minha "enquetezinha"!

1. Pegar o livro mais próximo.

O livro mais próximo é "Cem anos de solidão", que eu tento terminar de ler e não consigo nunca. É tão absurdo isso que eu eu começo a me sentir uma Buendía, pronta a enfrentar cem anos de leitura. E ele é tão legal, que eu às vezes penso não querer me despedir daquele mundo bonito mesmo. É tão meu! =)

2.Abrir na página 161 e postar a 5ª frase completa.

“Eu não preciso do baralho para averiguar o futuro de um Buendía.” (frase de Pilar Ternera)

3. Não escolher o melhor livro nem a melhor frase.

Não escolhi, mas calhou de ser uma das melhores leituras da minha vida. E sei que ainda aprenderei muito com ele. Coisas que com certeza passaram des(a)percebidas - eu sempre fico em dúvida quando escrevo isso.

4. Repassar para 5 blogs.

Andressa - http://meiocrisalida.blogspot.com/
Thalita - http://graillon.blogspot.com/
Caio - http://ensaiosdoplebeu.blogspot.com/
Felipe - http://casadephillip.blogspot.com/
Luise - http://srtasmilla.blogspot.com/ (pra ver se ela ressucita o blogue dela, porque eu sinto MUITA saudade! =P)

5. O que está achando do livro.

Tão mágico que a leitura podia não acabar nunca, a saga dos Buendía podia durar uma leitura de cem anos. É tão bonito, tão dentro de uma bolha de sabão....é tão real e tão impossível, tudo. Eu quero viver em Macondo. =P

quarta-feira, setembro 12, 2007

"semelhante a essas flores reticentes, em si mesmas abertas e fechadas" *

Ele telefonou. Era o curso da vida que seguia, imune, por mais que houvesse uma força pronta a desmanchar aquele mundo. Ela disfarçou, fingiu não saber quem era. "Quem é?". Ele tinha a consciência de que aquele aparelho reconhecia as chamadas. Ela sempre atendera alegre, comprovando o funcionamento daquela ferramenta agora tão insuportável e julgadora. Ela era a Ré. Ali, com o aparelho na mão e coração pulando no peito.
Impossibilitada de fugir. Ele tinha um presente pra ela. Ela não queria um presente. Não queria saber de mais nada. Ele sabia que estava tudo abalado. Encontraram-se na porta. Ele entregou o presente. Era difícil ainda assimilar o rompimento. Ela sorriu, sentiu-se feliz. De verdade. Ele lembrara dela.
Mesmo que um sentimento de não envolvimento pleno fosse grande por parte dela, ainda havia aquela sensação tépida das relações em processo de finalização. Ele deu um beijo no rosto dela e depois a abraçou. Nunca haviam tocado os seus lábios, entretanto, os momentos que trocaram eram mais fortes que qualquer beijo. Acabaram ficando sem jeito. Ela precisava voltar pra sala. Ele precisava ir pra casa. Despediram-se. Sabiam que ao darem as costas um para o outro estariam cortando os últimos fios da ligação ali existente. Pelo menos aqueles fios que antes pareciam tão importante pra ambos.

* o título é um trecho do poema "A máquina do mundo" do Carlos Drummond de Andrade.

segunda-feira, setembro 03, 2007

O o O O o Bolhas de Sabão o o O O o

Ninguém fala sobre as bolhas de sabão. Isso é um absurdo! Como elas podem ser esquecidas assim? Tão presentes na nossa infância e com o passar do tempo se perdem. Talvez seja intrínseco delas, que se formam cristalinas, de um rumo incerto, depois perdem-se de vista ou estouram deixando uma círculo de espuma.
Há quem diga que elas são apenas dois filmes compostos por moléculas de sabão com uma camada de água no interior, além do ar. Está enganado quem diz isso. Não por errar a composição, é claro, mas por esquecer da outra propriedade das bolhas. A magia e a graciosidade das bolhas de sabão com suas cores variadas. Uma espécie de espelho que não é espelho, mas nos permite enxergar como tal. E quem nunca, quando criança, viu dentro de uma bolha de sabão alguma cena acontecendo?
Lygia Fagundes Telles já falava da imprecisão das bolhas nem sólidas nem líquidas, nem realidade nem sonho. Mais bonito do que isso, Lygia sabia fazer da bolha de sabão um conto de amor: A Estrutura da Bolha de Sabão.
Aliás, Lygia falava - como ninguém - da cavilosidade dos gatos. Creio que as bolhas de sabão também têm um pouco de cavilosas. Não que elas sejam cavilosas por natureza, mas adquirem essa característica assim que postas ao léu, sinas de bolhas, prontas a estourar, quebrando sonhos, pesadelos, seja lá o que for.
E as estruturas das bolhas de sabão são nossas. Quando misturamos a água e o sabão, misturamos as nossas vidas. Movimento sôfrego, ao mesmo tempo feliz. Tudo depende do seu estado de espírito. Ali, diante do copo.
Quando somos criança os movimentos são menos tenazes. É tudo diversão. Não. Talvez a inocência faça dos movimentos algo mais profundo do que podemos imaginar. E as crianças têm também seus momentos profundos, de consciência mundana, às vezes metafísica.
Nós, embora saibamos, por vezes, criar coisas belas, queremos transformar as bolhas em algo filosófico. Uma mebrana para uma realidade ficcional. Mas nos esquecemos que elas estouram.
Eu, por exemplo, com a minha mania de tentar modificar o significado das coisas, em busca de algo que pareça mais polido, transformo tudo em bolha de sabão. E depois as estouro, logicamente. Quando elas não me convêm. É fato. É força. Segue a lei dos meus instintos.

*texto bolha de sabão....Vai estourar! Resta saber se ficará alguma espuma ao redor!