terça-feira, junho 24, 2008

"O Sentimento dum Ocidental"

(...)E, enorme, nesta massa irregular

De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,

A Dor humana busca os amplos horizontes,

E tem marés de fel como um sinistro mar!



Cesário Verde.





...(Re)descobri Cesário Verde! Numa aula de Literatura Portuguesa. Como quem reluta ao fato de ter uma matéria obrigatória aparentemente não muito agradável. É que nunca foi muito: sempre pareceu uma coisa pedante, um tanto intragável. Mas aí surge um programa mais legal, mais interessante. E Cesário Verde é tão cinema. Leiam!

A plasticidade de Cesário é incrível. Acho que foi, dentro da Literatura Portuguesa, a aula mais legal que já tive. Nem há como falar de Petrarca e de outros poetas. Ele descreve as cenas e elas se projetam instantaneamente. É, como disse a Mariana Gouveia, uma escrita sem igual: uma câmera flagrando fragmentos de realidade.

Talvez eu seja mais uma alma moderna (afinal o que ele escreveu está diretamente relacionado com as transformações sociais e econômicas que aconteceram em portugal: as transformações que o capitalismo gerou, a modernização nem tão moderna) que sofre as consequências da massificação, da solidão, da individualidade, dos males e dos benefícios da internet, das dificuldades econômicas e sociais. Ou não! Talvez eu seja só um ser perambulando entre as questões mundanas e profanas, buscando explicação pra isso tudo. E, se Cesário Verde não me responde assim tão claramente, pelo menos me apresenta de forma bonita aquela definição das coisas que parecem difíceis.

Acho que todo mundo pensa diariamente nessas questões. E se vc entra em crise com medo da vida, talvez a gente tenha algo em comum. Se esse medo te impede de aprender e de viver, talvez seja um problema. Aí é bom vc ir atrás de ajuda. Mas se, como acontece comigo, ele apenas suscita sensações interessantes e edificantes, aí é a parte boa de ser um questionador incessante.




Leiam Contrariedades, que é absurdamente lindo: http://www.astormentas.com/din/poema.asp?key=1930&titulo=Contrariedades



A Plasticidade na Poesia de Cesário Verde, de Maiara Gouveia: http://www.revista.agulha.nom.br/ag52verde.htm